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15 de novembro de 2014

Devia dormir mas estou acordado.



. everybody look so ready...
. parecemos tanto uns com os outros
. mais ou menos vaisandando
. e passo sobre passo na calçada
. torpedo devagar com carga singular. Parar a 10mil pés?
. tanta pedra
. nem pensar.
. nem. pensar.
. new pensar.
. nem pensar.
. ligar.
. torpedo devagar.
. alguém ganha.
. e passo sobre passo na calçada
. a ganhar.
. e em cada um destes pontos... 
. Assumo-o: - Só ar ar. Ar!
. pobre diabo
. folha ao vento. renovar.
. trompetes em al amalar
. rufi sob sub até aflicto andas
. somo sono.
. carga singular
. teste elementar
. ameaça particular
. Incómodo trovejar
. releio relantim
. undo fui foi segue deve está
. desligado
. dá. que mais de encontro a dá? dar
. de du de dai dai, dai? dei
. aléluia dei
. sopra a vela up and fogo!
. desculpa
. ser seria
. com cunho, com alegria, com entrega e ainda assim cu eles e coração
. tin tins
. só sei ser o que sou.
. só sou o que sou. sendo.
. o que trago, o que entrego
. grua
. grade
. gorda solução
. nada, só nunca.
. do you maybe have the contact of someone in a clever undersanting position doing work for another level of comunication connected to time capture developing devices?
read closer.
Doping
. adiCto de imagem. Adito num jogo de descoberta comigo, com o que tenho vejo sinto. simples. sempre. simples. sempre. simples. sempre.
. mistério do vai vem do revelador. dor. revelador. or. sabes só o que te interessa. e agora sabes o que tem de te interessar e para que não esqueças de cheira a revelador. alquimia. fixador. processo. desde o grão. processo.
. curva clivada sem declive mas fofo se fosse
. orgulho de lince gato distante perto
. sem merdas.
. onde? vem!
. descul+a a liber-a emoção
. onde no silêncio bebemos
. semelhor
. juntopera
. crivo crescendo
. e como que com asas de fibra de telhado de vidro renascer
. topa por topar a tampa do sono que não vem
. fumega desfilando o tranceunte
. tom
. elástico espaço walker
. Trom Thor full of colour machine gun controle when
. master zen
. the only Elvis that really matters now... it's your mail meeting room
. with cookies.
. Help me. I'm a trusteD client.


05:50:00:15:11:20+14
linguagemsilêncio

16 de abril de 2014

Sé. Segundo acto

Três páginas arrancadas por contracção, mão presa, densidade de negação, ausência, decréscimo. Não saber. Contracção sem resposta de válida ou construtiva reacção. Densidade. Alfama, Sé. Retoma Tejo de luz sem da luz me aperceber. Densidade. De nada espelhar. Entrega, procura desconstrução. Flip flops em solidão. Descentralização, indecisão. Desvio de controle de matéria. Inteligível, corrigível, permutável. Desconteúdo folgado, medida por medir exteriorizada. Nada.
Acréscimo de pouco saber pela ausente resolução. Expiação, armadilha, desfloração. Desencontro e solidão. Submissão, descontinuada sobreposição. Atulhar. Soterrado por omissão. Medo e indecisão. Casca grossa. Protecção.
Doutrina nasal, assassina. Afastada resina desbotada de amor. Presa fácil andorinha. Vôo, vôo, vôo na certeza lembrada de não o conseguir fazer. Vazio turpor. Rasgado sem mutação, âncora, raiz ou leme. Regalado rodeado da proporção alheia dada tenaz. Inexistente tentativa de acordo por nivelar. Distancia. Embriaguez adúltera assalto ingrato desmedido. Descontrolado na acutilância. Telecomando. Actor não identificado. Cansado. Na confirmação e sempre dado. Partilhado, estilhaçado. Descordenado, cordeiro levado. Constatação, atracção de negatividade sem filtro. Desenraizamento assente nas externas leituras desafinadas na cirúrgica ilusão da impotente castração. Sobreposição da soma de leituras emocionais, visuais e humanas no momento  do  sossego conseguido de cada topo em conquista por dádiva. Acusação, auto-flagelação, imputação por frágil constatação. Ciúme, aversão. Mongólias ilusão? Acréscimo fantoche sem designação de um plano calculado treinado, ensaiado. Trabalhado. Borrado.
Tremenda dificuldade de aceitação de mim mesmo. A ressaca passageira de não articular bom dia. Bom dia, bom dia. Bom dia será? Estranho em mim. Estranha fórmula de vida. Incongruente capacitação num único fatal plano de concepção. De tão forte esvazia. Cataliza e come. Amassa pela eloquência. Fere pela certeza. Certezas esvoaçantes assentam em maturadas estruturas anti-sismo. Não posso em mais uma insónia de toque de sino lamber feridas. Lamber seja o que seja. Não rima com insano, insegurança da forçada fuçada composição que não dança nas realidades fragilizadas que invento. Só mais só Eu fico. Vitimizo-me sem qualquer conforto receber. Tenho fome na correria de encontro a um prazer que não vem, não sustem, nada tem de além além de mim rodeado num emaranhado de portas que não se abrem. E como poderiam ter aberto perante a constatação de todos os impulsos em vão? Incompreendido sou um não. Desconseguido desfragmentado, tão fingido de-simulado, quase anulado. Encerro o trauma de uma loucura que deixa rasto de caracol simplificado. Mergulhar num limbo desmesurado de onde lodo sem nado.
Culpas e maus tratos reactivados. Raiva poluente. Ira inconsequente.
Cocaína desafina. Satisfeita insatisfação que domina na certeza de uma luta que se aproxima. Onde anda o meu farol? Será que alumia? É urgente a saída, fundamental é a chegada ao porto confia. Linha.
Tenho a fome de um amor ausente perdido na dor da imaginação de um ciúme trepador.
Haverá algo mais que possa deixar sair até soterrar? Há superfície? Haverá chegar? Pobre de mim. Vitima de mim porquê?
Sinto o peso da partida que transmiti olvidado na altitude do ventre materno onde tudo pode ser e é dado a ver. A doer por vir a ser. Integrar compreender. Antes de fazer nunca será ver. Antes depois. Tudo ou nada, sobra o tudo.
Desvendo, desventro, vento vi, ando, transformo: é coxo, é pouco sobremudo.
Poder voltar é assimilar para estruturar.
A paz e a calma desassossegam-me na eminência de uma necessidade que voraz-mente ultrapasso na dinâmica de sobrevivente acordado que me resta nos despojos de uma passada sem direcção.
Tudo o que vivi, escrevi, analisei, estudei ou senti não veio desta vez por ti. Ocupado enamorado devorado descentrado fiquei só, desenraizado. Maturado e com carga de profundidade amarrada, fui avisado, em baleia transformado, congregado e num livre acesso libertado.
Não posso, não sei, não consigo, nem quero pré-assumir sequer que assumi que a queda de um anjo seria somente a semente que desconfiei poder ser. Sabendo-o, saboreio-o agora. Confirmo-o profundamente como uma broca furando um ventre.
Desenrolho-me na luz da cidade que me viu nascer. E se o arrependimento amamenta-se? Mamo tudo o que nesta distancia deixei mal feito. Despeito vitórias que agora longe sabem a sangue, a solidão implodida em fragmentos de erros rearranja-dos em frágeis franjas rocócó. Pela fome insaciável dos outros que nem vêem. Intrínseca masturbação de um joguete brilhando de toda a merda que vim trazendo. Trazendo nas costas passado se avança para nenhum lado. Quadrilátero embruteci na ausência de presentes memórias do que vivi.
Esfrego-me neste chão, mordo-me contorço-me antes de ir. Espanca-me o medo de querer terminar com todo o sofrimento que cobarde quero deixar para trás. Nada mais a  fazer, tudo feito. Lento leito de uma sobrecarga tão presente quanto inaudível por mastigada nos molares de uma consciência fustigada. Detalhadamente manipulada.
Sôfrego, detesto, desdigo a caligrafia enjaulada retorcida salteada. E suja sem leitura segue sem que compreenda, que este é, depois de lavado, o primeiro dia do resto de um plano sem vida.


***
15 4 2014

Texto para o segundo acto do monólogo encenado "Operação Vim Ver".


20 de setembro de 2013

broken glass

10 de junho de 2011

txt O

fixacão avaliação
tu eu
sou és
pois,
só mente a antiqua formula de variação, modo de mudança, reformulação, integração, emancipação, restauração, divergência livremente dirigida por uma duração de força emancipada de libertação. obsessão educada instaurada no contacto de uma visão, de partilha de resolução, quimera término acreditação, volta, restauração, amálgama de fusão. terra, fogo, ar, ar, água absorção, termal invocação, crença, dedicaçãpotenciada por diária desilusão. alquímico empurrão. lua nova

5 de março de 2011

Dear Tricky :

17 de fevereiro de 2010

Torreão


 
20:18. 22 de Agosto de 2009.
Lisboa. Castelo de São Jorge.

Independentes, duas sombras são arrastadas uma na direcção da outra. Dois caminhos independentes. Duas vidas independentes. Um final de dia no castelo e dois dentes de leão. Visita, passeio, um encontro visão no torreão. Aproximação. Identificação. Paixão. Identidades reflectidas e idades subjectivas. Vivências de profundidades de paisagens atraídas por um olhar para a História passada de pedra em frente. Fixação de luz. Profundidades localizadas em dois crescimentos bem localizados. Um amor anunciado e bem escrito no passado como o teu retracto apaixonado de Lisboa por Lisboa. Depois o dito real tempo passou. E o castelo fechou. Ficou noite, e encerrados lá dentro sem a forma de poder sair, disseste-me que comigo e apesar dos fantasmas, não haveria mais medo. Acreditei. E até hoje acredito porque mesmo sem nada e fechados sentimos que juntos temos tudo. Depois sai-mos para a rua e foi verdade.


22 de outubro de 2009

Máscaras de S. Martinho


after party I

after party II



after party III

***

Para cortar em sonhos de mil peças por recolocar antes do vento voltar a vir. Eléctrico. Ou á mão? Dura dualidade de ter sempre mais que fazer. Vamos á pesca. Outra vez. Por favor. Não vez. Não sês? Não ses. Não Nothing só mais uma vez. Gathering will be nice. Ou talvez não tenha mesmo de ser outra vez. E curioso. Mesmo confronto é o facto de ainda haver pedras na engrenagem. Que só lá estão porque não entendes que a necessidade pode ser maior que o engenho, mas que por vezes o engenho passa a ser a verdadeira razão da necessidade. Da de comer aos pombos, embucha o burgo, embrulha no pacote e engole por palhinha. Ou corre. Corre, esforça-te tanto que acabas por ficar na linha. O comboio não pára. Eu também não. Corro voando. Mesmo. E todos os dias depois de jantar. Bom para a libertação da tóxina porque os cigarros são capazes de matar mesmo mas o Sol não se vai deixar de pôr todos os dias onde o teu coração o possa imaginar. Deixo só sair. Até não descambar. Cambando vuou sem direcção, verborreica alusão a mais um dos teus ai não!? Flutuo teclas que não olho. Deixo só. Largo só. Carga directa sem emenda de uma perigossa reprimenda durante a correcção de outro teste. Na progressão. No avaliar da evoluçaõ. Na projecção curiosa da progressão de outra e mais outra geração. Como se sairam? Como reagiram? Que caminhos tomaram? O que comeram se alguém não der? Dar. Dar e receber. Pormentor devirado de razão. Mesmo sem querer. E só por ver. ter. saber. conhecer. interromper. viver. Vivência atrapalhada por prazer de confuso entaramelado com um doce que ainda não provou. E esta cadência e ritmo derivam para o mar que devolve em ondas. Não era bonito? Pode ser. Azul como uma imagem a preto e branco. Surreal.

( : )

5 de maio de 2009

O Ovo





Eu. Eu tive uma infância feliz. Recebi amor. E como todas as crianças da minha geração tinha 3 meses de férias. Julho, Agosto e Setembro. Este tempo de crescimento era passado entre praia e campo. Era metido numa “carreira” no Campo Grande que seguia para Bucelas onde fazia uma paragem e seguia até ao cruzamento da Perna de Pau numa aldeia perto de Sobral de Monte Agraço chamada São Domingos de Carmões. Esperava-me o sorriso contido da minha avó materna que depois de um beijo seco dizia: - Estás magro. A Dona Lucinda.
Além da Casa do Povo, de frente para o largo, a taberna da Lucinda era o único local de encontros e desencontros da pequena aldeia que era São Domingos. A minha base de brincadeiras e descobertas infantis. Vendia-se bem naquela altura. Vendia-se a nossa fruta, vinho, animais vivos ou mortos de criação. Vendia-se tabaco. Vendia-se uma televisão sempre ligada a tinto e branco para todos os que ainda não tinham uma e para quem precisava de um pretexto para sair de casa e fazer uma troca de impressões quase sempre sobre lavoura, alfaias agriculturais, cooperativas, bola e a vida do próximo que sempre me pareceu a de todos. Se não andava pelo campo de bicicleta, a fazer carrinhos de esferas, a nadar em poças de água de rega ou pendurado em tratores, auxiliava a servir copos de vinho, aguardente, licor caseiro, a vender mortalhas, onças de tabaco, Definitivos, guloseimas e melão a peso. E fazia trocos aprendendo na prática a tabuada. Enquanto isto era sempre gozado e sem cerimónias, por todos os que naquele lugar paravam. Alfacinha e “tenrinho”, era o alvo preferencial para a gargalhada geral e constante aprendizagem da retórica saloia. Era um puto, uma esponja que assimilava maravilhado a partilha do espaço de convívio dos homens grandes da aldeia. Ouvia crescendo e dormia todos os dias sozinho sem medo do escuro.
Uma noite de Verão, pelo inicio da década de 80, depois de jantarmos e com a taberna vazia, o eterno companheiro da minha avó, o Sr. Domingos, que para mim se tornou a referência de um avô sem o ser por sangue, disse-me ser possível equilibrar um ovo. Lembro-me que questionava sempre o que eu aprendia na escola e tinha como dado adquirido. Falávamos imenso até aos silêncios. E eu, estudante primário da cidade “a cheirar a leite” depois de doutrinado sobre Colombo respondi-lhe com ripanço que isso era impossível. Gozei-o. Para mim que só partindo a casca, parti-me a rir. Por seu lado, o Sr. Domigos sempre calmo e enorme, respondeu-me assertivo que não. Que com concentração e paciência o famoso Cristovão não teria tido a necessidade de fazer batota pois é possível. E disse-mo com um olhar que para sempre guardarei, porque me fez tomar a atitude de ir empreender a minha próxima experiência com um ovo. E para por de pé.
A técnica, explicou-me, era simples. Só tinha mesmo de querer. De acreditar que era possível visualizando. De seguida sentou-me num banco em frente ao balcão de mármore branco e gasto de cheiro a taberna. Forte. Uma base dura, plana e polida. Colocou-me o ovo na frente e disse-me para lhe tocar apenas com quatro dedos. Indicadores e polegares das mãos esquerda e direita. Disse-me para fixar o ovo à altura dos meus olhos e o sentisse respirando profundo e com calma. Fui o que fiz.
No inicio pareceu-me impossível que estivesse a fazer aquela figura numa taberna de porta aberta para gáudio de todos os que subiam ou desciam a rua. Mas já estava. Abstrai-me de tudo e todos fixando o meu ovo para o equilibrar. Desliguei-me, ligando-me. A um ovo. Abstracção concentrada consciente, imóvel com vagar e focado na célula, senti que existe um ponto de equilíbrio, vertical. A linha da força da gravidade comum a todos e que tudo atrai para o mesmo centro. Sente-se viva. O ovo dança à sua volta evitando-a com teimosia. As pontas dos dedos alternam o contacto e se vê uma força em torno da linha de equilíbrio. E eu senti-a apercebendo-me que era a colocação e distribuição do peso da matéria nesse ténue mas concreto ponto que tornaria o possível o esforço. Perdido no tempo do processo e sendo ignorado por imóvel teimosia... Chegou 0 momento. O alinhamento dá-se antes mesmo de soltar a casca. Sente-se.E na minha frente, na taberna da Lucinda, encontrava-se um ovo in tacto em perfeito equilíbrio.
Esbugalhado olhei para o Domingos apontando para que visse com os seus olhos vidrados "o milagre". Calmo e grande, levantou-se lento na minha direção e de mãos nas algibeiras permaneceu em silêncio sorrido. A minha avó sentada no cadeirão de madeira de almofadas de crochet ficou incrédula de orgulho contido. Não acreditava que era possível. Mas era. Foi. É!
Por três minutos o ovo manteve a sua posição. Manteve-se no seu ponto de equilíbrio central e rebolou sobre si mesmo porque sim.
Nesse dia senti o sabor da conquista, uma harmonia de que gosto. Uma elevação pela concretização do inesquecível.

No passado ano, voltei a São Domingos e enquanto pintava tive esta memória. Comentei-a e ninguém acreditou, tinham de ver para crer. E viram. Repeti o feito e viram um enorme ovo de avestruz em equilíbrio e sem que ninguém lhe toca-se.
Assim foi.


Luanda Sul, 1 de mai0 de 2009

11 de março de 2009

Elinga


Angola está em permanente devir. Sente-se. O que foi ontem já não é hoje e o amanhã “logo se verá o que é” mas com certeza muito diferente será na certeza de um oleoso subsolo e solo, da sua cultura secularmente semeada pelo mundo, do investimento estrangeiro a nascente e poente, no embrião turístico de um imenso território e costa abençoados no berço por natureza, nas palancas em extinção, num campeonato de futebol e na ginga flexível da zungueira de todas as cores de filho á cinta dentro e fora dos musseques. E há Luanda, a única cidade que conheci e onde a Lua anda mesmo. No seu centro, na Mutamba reside a parte velha de uma cidade que nasceu e cresceu ao longo da baía. Ai resiste uma arquitectura colonialista. Portuguesa. Uma arquitectura do século XIX que me envia pelas fachadas o cheiro de Lisboa. Relembra um Estado, que também aqui, um dia quis ser Novo e que até hoje, apesar da guerra, das guerras e da maresia ainda permanece em bom estado de conservação apesar das cores esbatidas de um imperialismo decadente. E tem os dias contados. Existe um plano, ou a ausência de outro, para a reconstrução de toda aquela área histórica: - Vai a baixo! E vêm ai arranha-céus, vêm símbolos de capital, de crescimento, de futuro e de uma prosperidade com vidro reluzente, muito alumínio e luzes néon. Um “Dubaizinho” está orgulhosamente a caminho e o Elinga Teatro que ali nasceu vai cair por demolição anunciada apesar de ter sido inscrito como património em diário da República. Será um parque de estacionamento e na passada semana estreou lá uma peça. A última a ser encenada no local. “SombriLuz – Instantâneos de poesia angolana dos anos 50”. Não fui á estreia mas irei lá sempre que puder. Até cair. Porque o Elinga Teatro é o último reduto alternativo em Luanda. É o porto de encontro e segunda casa de actores, encenadores, artistas plásticos, fotógrafos, intelectuais, pseudo e curiosos bonitos. É um mito. Senti-o assim que entrei, subi as escadas, cheirei a madeira misturada com dragões (incenso repelente de mosquitos), absorvi o laranja vivo das paredes cicatrizadas, as histórias penduradas de outras vidas encenadas, os olhares frescos da varanda, o palco e a plateia, os recantos de acervos deixados por folias e correrias e um bar de conversas desconhecidas com bebidas, sorrisos e gelo do cano. No ar, a música das chegadas e partidas de uma vida comungada por todos. Amor á primeira vista existe. Existiu nesse dia e foi crescendo sempre que lá voltei porque não me soa ir a outro local.
Tenho sorte. Tive sorte. Na minha estreia estava programado um concerto. Muita sorte. Por sincronia vi ouvindo futurismo. Para uma plateia de meia centena os Next deram aquele que seria o seu último acontecimento no Elinga Teatro. Acabado de chegar de Portugal ensinaram-me tocando o que era Angola. Contaram-me várias histórias de fusão entre um passado e o futuro. Raízes, tendências, covers e revelações. Vivo, universal, world music. Fiquei e serei fã. Mais um seguinte seguidor.
Foi nesse dia que conheci o meu amigo Toy Boy. Foi quem me explicou que a varanda do edifício onde estávamos era parte (ainda) viva do história do teatro angolano. Que como ele, muitos tinham saído das ruas para integrarem projectos, aprenderem, ganharem experiência, delinearem objectivos comuns e poderem sonhar em liberdade. Crescerem. Que era assim desde 1985 mas que só em 1998, com o país ainda em guerra, nasceu formalmente o grupo Elinga Teatro que até hoje encenou mais de vinte de peças. Bebi literalmente as suas palavras e juntos brindamos ao destino que me tinha levado até ali e agora. Ambos bebemos bastante.
Nessa noite decidi que a minha terceira visita traria uma intervenção naquele espaço. E foi o que fiz. Desde esse dia fiquei atento para que me surgisse a resposta de como o fazer. E surgiu no Paredes. Em forma de past-up e como representação do meu primeiro conceito foto-graphico concebido em Angola. África.





Reencontrei-me num processo fotográfico em que optei por utilizar uma matriz de colagem. Precisava de um modelo. A primeira convocatória de uma sessão saiu furada. Fui ignorado pela ausência de dólares no processo. Na alternativa arranjei rapidamente outra modelo que reagiu prontamente á minha e á sua necessidade de criação. O resultado foi uma boa selecção de fotografias e maturidade de um conceito. Tratei toda as imagens, seleccionei uma e imprimi uma matriz. Tudo pronto. Não deu. Porque afinal ainda não seria aquela a arte final. Não tinha de ser assim. A modelo é Miss Simpatia em Angola e os direitos da sua imagem são bastante rígidos. O comité, ou lá o que é, tem em sua posse os direitos da sua imagem até ao final do ano. E não dá no dia D! Nada fácil de aceitar. Cheguei a desistir pela adversidade dos sinais que não foram mais que um teste á minha vontade de criação e energia. Intervir no Elinga passou a outro plano que desconhecia. Deixei passarem 48 horas e num terceiro momento falei com Jaqueline que como minha amiga acompanhou o processo. Perguntei-lhe se não me ajudava a completar o trabalho utilizando a sua imagem. Respondeu-me com a naturalidade de quem desde sempre já sabe que seria ela a matéria-prima do projecto que acabaria por vir a ter o seu nome: Miss Saluvo.















Miss Saluvo








Passou uma semana e voltei ao Elinga. Fiquei surpreso: as outras paredes tinham um intervenção feita pelo Toy. Cinco paineis de madeira pintadas de branco e dimensões consideráveis tinham sido penduradas em todas as outras paredes do salão de exposições onde está Saluvo até á demolição. O conceito era simples: a meio dessa noite trazer muita tinta surpresa para que na minha frente se desse uma reacção de todos os pintores e clientes presentes! Foi o que aconteceu. Num momento de criação dinâmica e interacção de todos, a minha lente captou aquela que seria uma das maiores manifestações artísticas a que já assisti e que resultaram em cinco painéis e um cartão; A Elinga Session Serie. A minha chama-se Elinguitanea e foi adquirida pelo Arquitecto Miguel Berger, as restantes, também compradas, seguem de barco para Portugal e o seu destino é o Museu da Memória em Lisboa. Agora, todos os finais de semana se continua a pintar por lá até vir festa do Adeus que foi reagendada para os dias 27, 28 e 29 do presente. Nesse dias vou projectar, pintar. E partir paredes com um pre texto.















Elinguitanea



Devir






Março de 2009. Angola. Luanda.
Devir
Photos onde estou: Toy Boy
Agradecimentos: Nikita, Tania Manuel, Jaqueline Saluvo, Ira Almeida, José Mena Abrantes, Pedro Gil Ferreira, Movimento X, Cota Carlos, Anabela Vandiane, Next e Carlos Paredes. Sem voçês na dava.
*****
Lua Cheia

12 de fevereiro de 2009

If you think you are too small to make the diference try to sleep closed with a...



“Gosto dos bichinhos todos. Mas tenho uma curiosidade estética pelas formas, linhas, espécies e comportamentos dos insectos. Quem me conhece, sabe que contemplo aranhas, filmo louva-a-deus e que sou um exímio matador de melgas. Só consigo realmente adormecer sem zuns. São a única espécie que consigo matar, e confesso retirar algum prazer do processo que regra geral é bem rápitum! Tenho várias técnicas; Acender luzes em locais estratégicos para despistar, armadilhas corporais, electrocussão, esmagamento com almofada, imobilização, patada com o que tiver mais á mão ou afogamento com mija quando as apanho a dormir na fresca da sanita. Contudo, em Angola, comprovei que as espécies de mosquitos locais… pensam! Possuem um instinto de sobrevivência, tenacidade e resistência digno de memória escrita. Instigados pela sede, esta espécie tem comportamentos admiráveis. Um destes chupadores de sangue ficou fechado dentro do meu guarda-roupa durante dias. Aguardou o momento da abertura da porta e atacou-me directo no pescoço. Enxotado com a chanata que lhe chegou a tocar voltou novamente á carga uma e outra vez e mais uma última que o matou de encontro ao meu peito. Perseguem. Se alguém entra numa divisão é possível ver o seu voo rápido com trajectórias objectivas para onde podem desaparecer. Escondem-se em superfícies negras onde ficam ocultos. E ficam mesmo. Com um método calculista, aguardam o sono profundo para sorver tudo o que precisam e voltam a desaparecer para a digestão que os deixa vulneráveis pela lentidão da descolagem. Ficam debaixo das mesas atacando pés e pernas mas longe das mãos que os ameaçam. Escondem-se quando acordamos devido a uma comichão mordaz que só passa na carne viva. Alivia. E têm brinde porque são estes os transmissores de paludismo e malária, as doenças com maior expressão em Angola e arredores. São as fêmeas os veículos de transmissão do vírus que para sempre fica incubado. Com uma só picada, uns têm de mudar radicalmente de planos, outros morrem e os outros sobrevivem”.
(-Desenho ou escrevo sempre qualquer coisa em salas de espera que passam a salas de outra coisa qualquer. Agora estou numa clinica. Aguardo para ser atendido e sou o centro de olhares curiosos talvez por não parar o ataque ás folhas do bloco. Andava tão bem... E ontem fiz uma luxação durante a procura de uma fotografia que ainda não tinha visto. Pus mal o pé na bancada do Elinga e agora dói-me inchado o tornozelo direito. Que beleza é um pé saudável, pé atrás do outro pé. O milagre da marcha. Um atrás do outro. Tão lindo andar e bem. Esquerda, direita. Que simples liberdade! Já fiz a radioanálise que está no envelope, aguardo para ser visto por uma médica de geral e num ápice passou um instante… acho que vou continuar;
“Já vai fazer dois anos que em Agosto conheci um irlandês festivaleiro de óculos graduados. Sorriu-me, aproximou-se, perguntou se se podia sentar no fardo de palha e ali estivemos sem tempo até ao levantar do pé de vento que remexeu de surpresa a poeira. Disse-me pausado que estudava insectos e falou-me de comportamentos incríveis de espécies com nomes impossíveis de memorizar. Sabia e referiu que os seus estudos sobre moscardos eram fundamentais no desenvolvimento agrónomo da nação e que a agricultura do futuro terá a colaboração directa de muitos lavradores com antenas. Fertilizam, polinizam, colonizam e controlam o desenvolvimento de espécies parasitas prejudiciais à cultura. A conversa continuou sem espinhas e confessou-me assertivamente que vivíamos na era dos insectos. Dinossauros: extinção. Insectos: continuação, evolução, mutações por adaptabilidade e florescimento como nunca. E disse mais. Se uma entidade extraterrena avalia-se o nosso planeta e calcula-se a biomassa das diferentes espécies residentes na bolinha azul... verificava que as espécies insectívoras pesam mais! E estão na dianteira desde há muito tempo. Nesse momento saltei do fardo de palha pela constatação da sua certeza científica. Não sei se o que me disse é verdade, e nem sequer me perdi na pesquisa, mas recebi que ao contrário do que normalmente pensamos acerca do “nosso” planeta, Ela não é assim tão “nosso”. Somos somente uma parte integrante de um Sistema e só depende de nós ficarmos na Sua História como a espécie vírus que desequilibra, ou a espécie que curou, reconciliou e garantiu uma continuidade sustentável com o Todo...
- Alguém chama o meu nome. Parece que finalmente chegou a minha vez e não convém nada esquecer-me do radio-diagnostico.

2 Fev. 09

1 de janeiro de 2009

Aluminium







São 22:35.
Tiq taq tiq tac. E é somente uma passagem. Uma pontinha momento para uma mudança numérica que neste caso específico implica a responsabilidade de mais uma unidade registo acrescida ao processo de criação e pesquisa em prol do belo processo de concepção plástica que não é mania. É doença destinada.

A escrita dactilográfica é mais rápida. Eficaz. O exercício da escrita ultimaMente tem sido feito com a mão. A caligrafia substituiu a dactilografia. Momento raro este. Tec tec prec. É quase meia noite do encerramento de de de 2008. Nunca tive um ano assim. Sou um astronauta depois de 2008. Significa isto que me sinto pronto para a exploração espacial que sempre cá esteve. Com que todos nascemos mas nem todos identificamos ou preferimos não reconhecer. Revendo bem, a viagem que foi o passado ano só tem de evoluir para outro plano. E é ai que hoje, porque ainda não posso estar contigo, me despeço com um mergulho de cabeça em 2009. Água fresca não tão fria.

17 de dezembro de 2008

Pérola Negra




Como água suja da rua fétida no escuro deambular de um rosto sem encontro marcado num outro local sem ti. E que poluição inebriante me invade os sentidos em golfadas guelras de percepção. Comunhão. Não? E sempre! Como não?

Ovação ovulação de alucinação de desenfreada combustão de outro cheiro dimensão sem o odor da sublimação. Como não?

Ânsia. Prevista. Provocada. Inusitada. Calculada. Maioritariamente descontrolada. Espectacularmente semeada. Concebida. Realizada. Por mim. Julgada por ti. Testemunha!
Como não?