23 de fevereiro de 2024

Algodão em rama


 

 

Água de rosas, algodão em rama.

Hoje acordei de novo como bóia amarrada no bombordo das palavras por conter.

Não contenhas. Numa parede por caiar, li um dia que conter é verbo alagado de nós e nãos e nadas e portas batidas fechadas no trinco, que só se abrem com cuidar.

Cho co la te. Cho co la te. Navegava num mar de cho co la te   quando na minha mão te vi dizer inteira:  

- “A poesia, vai salvar o mundo”. Retorceu na tua língua um esperanto tsunami que tudo levou por ser crente cardíaco compulsivo e calvo. Fiquei à deriva.

Sem alternativa, achei que morria, mas Boca-a-boca, fui resgatado por um tapete voante de retalhos feito por canetas de tinta de choco pescado á candela nas noites temperadas do verão.

Esfarrapado pela intempérie de Hollywood, fui encontrado pela meia maré a encher numa praia postal com pocinhas de concha mimadas pela dança das algas que te ofereci. Sem redundâncias nem pesos por pesar.

Ai, nessa costa lá, apareceu. Corpo nú e delgado, um pedaço de palmeira na mão e carregando o som do marulhar de todas as ondas, um homem. Apareceu.

Deu-me água de coco, um abraço e a companhia silenciosa de todas as catedrais. E desapareceu dali ficando aqui, de onde nunca mais saiu.

Água de rosas, algodão em rama, um momento tão absurdo quanto um mundo com fronteiras, e contentores. Naufragado.

 

 

21 de fevereiro de 2024

16 de fevereiro de 2024

10 de fevereiro de 2024

4722


 

 

 

9 de janeiro de 2024

efemeral

 


 

 

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1 de janeiro de 2024

30 de dezembro de 2023

mel

 2023

6 de dezembro de 2023

Nashi

 


2023. 100x100. Tinta acrílica sobre tela.
Série Devir
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Na Tate Modern, em 2006, vi Whaam, o díptico de Roy Lichtenstein. Nesse contacto, fui despido de alguns preconceitos e compreendi que o acto de pintar forma a uma cor eleva a composição representada a um amplo espaço de reflexão e significado. O compromisso e a meditação no método de pintura do preenchimento cuidando cada forma na sua individualidade, na aproximação, remetem para um estado de contemplação e calma que colide com a interpretação amplificada de uma vinheta, contendo uma explosão em cenário de guerra, anulando-a.
And yet… em Abril de 2012, em Luanda, alguém afixou a impressão de um comic de Silver Surfer na porta do escritório onde operava o Movimento X. Ao momento, ocorreu-me pintar a reprodução dessa imagem num dos quadros do corpo de trabalho que realizava. O impulso foi contido, não aconteceu. Contudo e tanto, a chama não se apagou na projeção do desejo de o vir a fazer no futuro.
Os guinchos, risos e vozes das crianças a brincar no recreio aqui ao lado foram substituídos por tubos de andaime batente, rebarbadoras que serram ferro e martelos pneumáticos que reconstroem sem término o muro da escola aqui na rua. Neste estúdio, no outono de 2015, pintei em catarse. Um processo de libertação de raiva, incompreensão e desespero tão violento que partiu sem conserto a grade de madeira. A tela resultante do que considerei ser uma terapia seria então publicada com o nome de Nemesis e ficou reservada com o escrito no verso: –“ficou por resolver começou a chover”. A base de Nashi.
Pintar um negativo era um projeto reservado para o culminar do ciclo de trabalhos identificados como Devir. Pintado na vertical, Nashi é um negativo. Um objecto photo-graphico que na sua inversão se revela unificado.
Na profundidade Atlântica, neste mesmo momento, Nashi, uma cria de baleia azul na cadência do nadar movimento eco advente do corpo de sua mãe, acorda para a consciência da interconectidade de um planeta que é Ela, viva, suspensa no infinito azul.

 


 


2 de dezembro de 2023

Catálogo

 


 

 

25 de novembro de 2023

Pathways Home



 

Original da capa da comissão para o livro Pathways Home de Adam Barley.

17 de novembro de 2023

8 de novembro de 2023

Finissage

 


 

O coletivo 100x100 e o Museu Carlos Reis convidam para a cerimónia de encerramento da 3ª edição em Torres Novas.

Sábado, dia 11 de novembro, encerramos com o concerto - Uma Guitarra Coletiva - por Pedro Antunes, bem como, a projeção do filme - Um por Um - uma seleção de vídeos de cada um dos 44 artistas do coletivo.

Nesta edição estão em exposição obras de: Aguabel, Alexa Jesus, Armando Luís, Arnalda Maia, Bruno Marques, Cézar, Colaço, Cristiana da Silva, Daniela Reis, Devir, Diana Barra, Diana Matoso, Elena Sanmiguel Urbina, Inês d'Espiney, Isabel Pena, Isabel Soares Carvalho, Jaime R Ferreira, José Coêlho, Koki Varela, Laura Lianes, Lenon B, Lucas Almeida, Madalena Braddell, Malgorzata Pawlikowska, Maria Papa, Martîm, Mónica Silva, Patrícia Mariano, Patrícia Matias, Patrícia Reis, Paulo Ponte, Pedro Goes, Pedro Palrão, Rita Grancho, Ritaspalma, Roberta Rag, Rute Coelho, Sam Abercromby, Sofia Maciel, Tanya Fryer, Tomás Serrão, Totonho, ViAndare e Violeta Lisboa.

Na Praça do Peixe, Rua Actriz Virgínia em Torres Novas, a entrada é livre.

Bem hajam!

 

 

2 de novembro de 2023

Peace is not the opposite of violence. Peace is the opposite of hate.

 


 

(...)
What then, shall we do, outside the shadow of hate and blame? What shall we do from the full feeling of the loss of Israeli and Palestinian mothers? What shall we do, knowing the keening of a mother, the whimpering of a child cowering in a basement? Those of us whose hands are far from the levers of power may not be able to do much except call for this and that: ceasefires, humanitarian corridors, and so forth. I support such calls, but for the hate cycle to reverse, people from within the warring parties will have to do something brave.

Brave would be for Hamas to release all hostages, unconditionally and unilaterally.

Brave would be for Israel to stop the bombing and restore humanitarian supplies, unconditionally and unilaterally.

You may think, depending on which side you are on, that neither of these is brave; that one is simply humane and should have been done before it even started, and the other is foolhardy given how the other side would just take advantage of it. It is precisely such calculations that make these brave. To advocate peace in a time of war is always brave. As one Israeli peace activist told me a few days ago, “If you say anything, they will slap you.”

What motivates bravery? Let’s call it courage. Courage means, “the capacity of the heart.” It comes when we open our hearts to actually feel. Then, if we don’t channel the grief into despair or the anger into hate, we do whatever it takes to stop the cycle of harm. Another cycle can take its place, with each side responding to the other’s brave gesture with its own, as the whole world watches, affirms, and rewards each step. Yes, I am aware of the fruitlessness of nonviolent protests and peace movements in the past in Israel and Palestine, but now is different. All eyes are on them. Israel / Palestine is now the fulcrum upon which the whole world could swing toward peace.

Charles Eisenstein

27 de outubro de 2023

Bilastina

 

Agenda, esferográfica, sala de espera e algo de esperança num reflexo incontido de lucidez. Faço o tempo. Sou chamado com o nome todo. Paro o escrito desenhado e sou atendido por um diagnóstico desajustado. A pressa, que vai levar tudo, como o medo do Al Berto que existe vai ver. Gotas nos olhos lavaram as lágrimas que não consegui chorar. Não senti melhoras e não melhorei, mas rompendo um renascer derramei-me emboscado de inflamação. A insensatez por programar, a mão dada de mãe e o anti histamínico parecem funcionar. Com os olhos não se brinca, hoje temos conquilhas, amanhã não sabemos.
A sombra da árvore em ti e todo o ar que do muro se soltou! Desembaraço de nós velhos e bafientos num estalido elástico de consciência. Plank! Afinado, esticado por tanto cuida... como soa. O que arde cura. Equilíbrio imperfeito. Virtude centrada. Tenho imenso para ti depois de me escutar atento, perdoar e aceitar a mim. Pilares de ponte somos os tais, amanhã ou depois ligo não te rales...

 

18 de outubro de 2023

Stephanorhinus Hemitoechus

 

Recentemente, uma ossada da mandibula de um rinoceronte com cerca de 40.000 foi encontrada perto de Torres Novas provando que nesta região viveram esses animais. No próximo sábado, na Praça do Peixe entre as 15 e as 19, três artistas encontram-se para um dialogo entre música e pintura ao vivo numa experiência única de puro improviso.

Existirá uma ligação tangível entre uma criatura do Pleistoceno e a realidade do Antropoceno? – Essa é a questão que iremos moldar com este concerto visual no 100x100Lab.

A entrada é livre.

Hugo Marques – Cordas

Miguel Antunes – Pintura

João Brunho – Percussão


Ilustração base de Stephanorhinus Hemitoechus por Maija Karata (2020).

 

 





 

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