12 de fevereiro de 2009

If you think you are too small to make the diference try to sleep closed with a...



“Gosto dos bichinhos todos. Mas tenho uma curiosidade estética pelas formas, linhas, espécies e comportamentos dos insectos. Quem me conhece, sabe que contemplo aranhas, filmo louva-a-deus e que sou um exímio matador de melgas. Só consigo realmente adormecer sem zuns. São a única espécie que consigo matar, e confesso retirar algum prazer do processo que regra geral é bem rápitum! Tenho várias técnicas; Acender luzes em locais estratégicos para despistar, armadilhas corporais, electrocussão, esmagamento com almofada, imobilização, patada com o que tiver mais á mão ou afogamento com mija quando as apanho a dormir na fresca da sanita. Contudo, em Angola, comprovei que as espécies de mosquitos locais… pensam! Possuem um instinto de sobrevivência, tenacidade e resistência digno de memória escrita. Instigados pela sede, esta espécie tem comportamentos admiráveis. Um destes chupadores de sangue ficou fechado dentro do meu guarda-roupa durante dias. Aguardou o momento da abertura da porta e atacou-me directo no pescoço. Enxotado com a chanata que lhe chegou a tocar voltou novamente á carga uma e outra vez e mais uma última que o matou de encontro ao meu peito. Perseguem. Se alguém entra numa divisão é possível ver o seu voo rápido com trajectórias objectivas para onde podem desaparecer. Escondem-se em superfícies negras onde ficam ocultos. E ficam mesmo. Com um método calculista, aguardam o sono profundo para sorver tudo o que precisam e voltam a desaparecer para a digestão que os deixa vulneráveis pela lentidão da descolagem. Ficam debaixo das mesas atacando pés e pernas mas longe das mãos que os ameaçam. Escondem-se quando acordamos devido a uma comichão mordaz que só passa na carne viva. Alivia. E têm brinde porque são estes os transmissores de paludismo e malária, as doenças com maior expressão em Angola e arredores. São as fêmeas os veículos de transmissão do vírus que para sempre fica incubado. Com uma só picada, uns têm de mudar radicalmente de planos, outros morrem e os outros sobrevivem”.
(-Desenho ou escrevo sempre qualquer coisa em salas de espera que passam a salas de outra coisa qualquer. Agora estou numa clinica. Aguardo para ser atendido e sou o centro de olhares curiosos talvez por não parar o ataque ás folhas do bloco. Andava tão bem... E ontem fiz uma luxação durante a procura de uma fotografia que ainda não tinha visto. Pus mal o pé na bancada do Elinga e agora dói-me inchado o tornozelo direito. Que beleza é um pé saudável, pé atrás do outro pé. O milagre da marcha. Um atrás do outro. Tão lindo andar e bem. Esquerda, direita. Que simples liberdade! Já fiz a radioanálise que está no envelope, aguardo para ser visto por uma médica de geral e num ápice passou um instante… acho que vou continuar;
“Já vai fazer dois anos que em Agosto conheci um irlandês festivaleiro de óculos graduados. Sorriu-me, aproximou-se, perguntou se se podia sentar no fardo de palha e ali estivemos sem tempo até ao levantar do pé de vento que remexeu de surpresa a poeira. Disse-me pausado que estudava insectos e falou-me de comportamentos incríveis de espécies com nomes impossíveis de memorizar. Sabia e referiu que os seus estudos sobre moscardos eram fundamentais no desenvolvimento agrónomo da nação e que a agricultura do futuro terá a colaboração directa de muitos lavradores com antenas. Fertilizam, polinizam, colonizam e controlam o desenvolvimento de espécies parasitas prejudiciais à cultura. A conversa continuou sem espinhas e confessou-me assertivamente que vivíamos na era dos insectos. Dinossauros: extinção. Insectos: continuação, evolução, mutações por adaptabilidade e florescimento como nunca. E disse mais. Se uma entidade extraterrena avalia-se o nosso planeta e calcula-se a biomassa das diferentes espécies residentes na bolinha azul... verificava que as espécies insectívoras pesam mais! E estão na dianteira desde há muito tempo. Nesse momento saltei do fardo de palha pela constatação da sua certeza científica. Não sei se o que me disse é verdade, e nem sequer me perdi na pesquisa, mas recebi que ao contrário do que normalmente pensamos acerca do “nosso” planeta, Ela não é assim tão “nosso”. Somos somente uma parte integrante de um Sistema e só depende de nós ficarmos na Sua História como a espécie vírus que desequilibra, ou a espécie que curou, reconciliou e garantiu uma continuidade sustentável com o Todo...
- Alguém chama o meu nome. Parece que finalmente chegou a minha vez e não convém nada esquecer-me do radio-diagnostico.

2 Fev. 09

4 comentários:

Andorinhaavoaavoa disse...

Sabes que nunca sofri com os mosquitos, porque dizem que não tenho sangue doce. Raramente sou picada e os zuns zuns passam despercebidos quando o sono ataca, mas... Aprendi a matar todos aqueles que vejo e depois de 5 meses de treino já os apanho em voo, nas calmas.
Aprendi que não os pudemos varrer da nossa vida, pk afinal chegaram antes de nós!! Viva a convivência com a Força Aérea Angolana...
PS: Compra uma raquete!!! É tiro na asa e voo picado!

Natacha disse...

Sabes que sim, não é? Sabes que sorvo cada palavra tua...

... fez dói dói, foi? As minhas massagens davam jeito agora ao pézinho...

:)

pitxuca disse...

É a ciencia dos mosquitos!!adoro-te muito e sinto mt a tua falta.manda-me o teu contacto telefonico po mail please.beijocas mt grandes e tudo o mais

Inconstante disse...

Logo agora que estava tão entretida na leitura, tinham que te chamar...paciência!