Nature's Last Supper. 2023
Patricia Mariano
“Reerguei sem mais tardar, a barra do vosso destino no planeta Terra; vós torturais a Vida nele e amputai-vos do que pode haver de mais belo em vós: a simplicidade do coração. Nós vos propomos que colaboreis connosco. É uma taça que vos estendemos, uma taça outrora oferecida e desdenhada, preferindo a junção forçada dos nossos dorsos com as vossas selas. Essa taça é a do perdão. Nós perdoamo-vos os milénios de sujeições, de pancada e de massacres. Nós perdoamo-vos a morte lenta em campos de chapa ondulada e nas mesas geladas de laboratórios. Nós perdoamos tudo isso e mais ainda porque vós não sabíeis mais… porque havíeis esquecido… Mas hoje, porque os tempos não vos permitem mais ter os olhos fechados, nós receamos que não vos perdoeis a vos próprios. O nosso pacto não assenta no esquecimento, mas na reconciliação. A “lei da selva” é a tirania da bestialidade e essa, fostes vós, que a inventaste inteiramente. Brevemente, uma parte do nosso povo terá desaparecido e com ela será um pouco da vitalidade do planeta, do seu equilíbrio, e, portanto, do vosso, que desaparecerá. A colaboração que vos oferecemos só pode manifestar-se por um portal: o do amor. Nós aceitamos continuarmos a acompanhar-vos, a servir-vos, se o desejardes, mas só o amor poderá fazer com que a nossa carne e a nossa força não vos envenenem e, sobretudo, que a vossa alma não adoeça. Nós nunca fomos os instrumentos que vos imaginastes com agrado, mas companheiros numa estrada cujas emboscadas vós forjáveis à vossa vontade. Eis porque hoje pedimos o vosso respeito… porque vós poderíeis dentro em pouco chegar ao ponto de não vos respeitardes e de negardes até o próprio universo. Acordai!”.
Ursus Maritimus
Agradeço a tua presença, esse olhar leitura, curiosidade ou o que seja que aqui vindo desejas, Agradeço.
Passam semanas sem aceder aqui, como se esquecer fora possibilidade. Voam meses sem que actualize, fixe aqui o que quero que seja. Deixar o querer trouxe o silencio a este lugar que sereno contrasta com as redes que alimento com assiduidade impulsiva e que a custo faço que entendo no deslize da serotonina. Aqui, um sentimento de refúgio secreto que se prolonga sem ofuscar. Uma distancia reservada que agrada e ata. Por um lado, agrada-me a sombra fresca longe da confusão das avenidas, anúncios buzinas e esplanadas barulhentas com palhinhas. Aqui, chupo a azeda num passeio sem destino programado, além de tu. Só ver chega tanto que o caminho se desfolha na gratitude de cada momento. Por outro lado, é bloqueio o arrastar do lastro com pouca corrente, sem vento nem rota aparente. Preciso sem depender do reflexo da tua pluma calada por volumes comandados, pós de arroz e segmentos. Perdão. O peso flutua sobre uma inconsistente massa de memória que indolor se tornou um estar, uma forma de olhar, um ser que só, solitário, sem reflexo ou mensagem não é. Ser. Ser corpo só não tem completo, afecto ou o reflexo vivo do olhar. Desalmado, se torna relíquia de cheiro a mofo, pó no escuro esquecido, carga de lixo arremessada pela janela num abafo de contentor. Delete. Libertação? Delete. Insatisfação? Delete de nada. Silêncio pausa.
Nada se ouve, a cântaros chovia.
"Nos primeiros anos de
escola lembro-me de me esconder atrás do meu talento e aptidão para a
Arte de desenhar, pintar, cantar, dançar, e tudo o que permitia
expressar a minha criatividade. Comecei a sentir vergonha por ser “boa”
em algo. “Desenhar bem” fazia-me sentir diferente e várias vezes
experienciar competição ou desdém, fez com que aquela criança, que
continha em si uma incrível facilidade de se expressar pela arte, se
fosse fechando na sua concha com medo de “ferir” os amigos e ser posta
de parte.
E assim, a fonte mais sagrada do fluir da vida, a
criatividade, se desvanece, dando lugar a bloqueios que influenciam
pensamentos, palavras e acções.
Como esta história, existem
tantas outras por aí. Vamos crescendo achando que fazer parte é ter
que ser igual aos outros, aprendendo a fazer letras “bem feitas” e
direitinhas num caderno de linhas verticais e azuis. Cheios de regras e
conceitos do que é belo ou feio, do que é certo ou errado.
Recentemente,
ao mostrar o meu trabalho e receber um feedback de comparação e
competição, este sentir longínquo de criança veio ao de cima.
Observei
o quanto aquele fantasma de ser “boa” ainda assombra o fluxo da minha
expressão no mundo. O não me mostrar por completo por conta dessa
memória..
Aceitarmo-nos como somos e a arte que fazemos, é um
acto de amor com a própria vida. E o belo e o feio que vemos fora, são
as partes que já aceitamos ou não dentro de nós.
Por isso
continuo a criar. Pelo poder de cura que todo este processo já me
proporcionou e por tudo o que já testemunhei ao facilitar e guiar
espaços de transformação e cura pela arte com outros Seres. É
poderoso e único.
É a minha medicina e servir com ela é trilhar o caminho do meu coração.
Não te escondas atrás daquilo que ainda te impede de sair da concha. A cura acontece caminhando.
Está lá fora um mundo inteiro à espera para te escutar. Salta. Voa. Expande.
Se quiseres a minha ajuda para esse salto, estou aqui ".
Marta Carvalho
"We use movement and dance to open up and explore some of the intra and inter-personal dynamics that are happening within the creation of community projects. Embodiment cuts through to the heart of things, helps us get real and show up as we are deep down with each other, giving us a chance to revision and encourage change for the benefit of everyone".