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6 de setembro de 2025

InnerCore

 



 

11 de março de 2020

home work




11 de abril de 2019

Parco



 50x70

5 de março de 2018

Processo





  De um retábulo antigo, de um lugar sagrado em que o mundano se observa e se reflecte, de um alpendre esquecido pelo tempo retalhado no espaço e separado em peças e maquinações coloquiais, do centro de todas as partes de uma árvore-consciência, da energia que a eleva, das raízes que a seguram, da luz que envolve todas as suas folhas, penas-pavão, densidades mágicas, texturas e padrões, manifestações etéreas de uma ilusão concertada na realidade, na ausência de um ponto único, de uma primazia, na ausência de uma perspectiva única, de uma âncora inamovível, na ausência de um sentido prático ou visualização abstracta, mas presente em múltiplas construções contrastantes, de um ponto multi-dimensional, intensidade na partição do pensamento em caixas, em blocos, em escadas que remetem para o vazio e para a plenitude, para a luz ou para a noite absoluta, ou para coisas prosaicas, para o quotidiano que se esfuma a cada dia que passa, de um lugar qualquer, de um templo radicular, contemplação adiada nas coisas para fazer, contenção nos voos oníricos que sobrevoam as calçadas e as ruas, um desafio de infinitas fórmulas que se subtrai como se não fosse importante, esquecido nos remoínhos solventes da memória que se guarda das coisas, mas subliminalmente presente, um relógio que não pára, deixando impressões em tudo o que se expande, em tudo o que se contrai, em tudo o que está, em tudo o que vai estar, uma vibração que penetra no âmago de tudo o que é solvente e o recicla, em múltiplas dimensões e em nuvens que cruzam o céu, realidades retalhadas e espaços sagrados, árvores ao vento e retábulos antigos, presenças e visões, ausências e premonições, o tempo passa plos dias e deixa marcas na realidade que o próprio tempo se encarrega de enredar, criando as múltiplas realidades que o dispersam, que o propagam, que o dissolvem, que se expandem e que implodem, que revelam a essência, que revelam o essencial, o primordial, o inacabado, o sentido cósmico, de uma janela sobre a cidade observo a cidade, ausente dos meus próprios processos, e deixo-me mistificar, de uma clareira no bosque observo o bosque, e deixo-me enredar, prender-me nas múltiplas dimensões de um espaço retalhado que me observa, como eu o observo, o universo à minha volta.

Rui Lorga

18 de janeiro de 2018

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20 de novembro de 2016

O.F.F.365

Operação Fino Feno (O.F.F.365) é um projecto diário de investigação que viu o seu início no dia 1 de Janeiro de 2015.

Durante os 365 dias de 2015, foi produzida uma obra em formato A5 (14,8 x 21cm) correspondente a cada dia do ano de 2015. Se tal não aconteceu, uma «dívida» ficou por realizar e como tal foi reposta posteriormente partindo de notas agendadas, apontamentos, recolha de materiais e registos fotográficos.

Para o efeito foi usado carvão, grafite, aguarela, acrílicos, óleo, pigmentos vários, fixadores, fotografias originais, recortes, carimbos e moldes de forma conjugada ou não.

Ao longo do ano, 20 folhas foram entregues a artistas com quem estive, trabalhei e conheci para que amavelmente me auxiliassem e com o seu contributo para o volume anual.

O.F.F.365 não é um diário gráfico ou caderno de estudos. Cada dia foi iniciado com a intenção de compor uma obra a partir de uma ideia/conceito. Não são os estudos, necessários em alguns dias/obras, são a arte final cujo resultado, ficou fechado e assinado. Cada dia/obra constitui um momento de criação único e ao resultado desta soma pode ser chamado de monografia, mapa, colecção, catálogo, livro ou enigma.

9 exemplos de dias/obras: 1, 3, 8, 14, 20 e 25 de Jan. 4 e 11 de Fev.


Este projecto teve o seu primeiro momento expositivo integrado na primeira edição do festival Paratíssima (20 a 24 de Julho de 2016). Uma intervenção no espaço público realizada em Lisboa no Largo das Escadinhas de São Miguel em Alfama.

Medidas da fachada a intervir


Simulação da integração do projecto apresentada no dossier de candidatura do Paratíssima 2016.




Vista do resultado da intervenção O.F.F.365  em papel impresso. 20 de Julho de 2016.
Tomo I, II e Descritivo. Cada dia/obra foi reduzido em 3% relativamente aos originais.

Volvidos 57 dias desde a sua instalação passei a considerar o largo das escadinhas de São Miguel em Alfama um lugar muito especial. Ali passei o verão de 2016. Todos os dias observei e analisei as várias dinâmicas do espaço e a integração de O.F.F.365. Dia após dia representei o projecto, integrei-o em várias as línguas e linguagens para as mais distintas sensibilidades como um fruto de Lisboa. As centenas de pessoas que conheci e reconheci directamente pelo trabalho realizado, na oposição de um ano de atelier em estudo, produção e arquivo constituíram uma experiência que não esquecerei.
Volvidos os 4 dias do Paratíssima foi-me dada a liberdade de manter e continuar a representar a instalação. Tinha início a segunda fase do projecto. 

O.F.F.365 e eu fomos integrados, abraçados e protegidos por toda a comunidade envolvente do bairro. Estimo ter sido vista, fotografada e analisada no local por cerca de 50 mil pessoas, que durante todos os dias e noites subindo ou descendo as escadinhas de São Miguel foram surpreendidas pela integração de uma intervenção com as diversidade, dimensões, cor, conceito e liberdade de expressão de O.F.F.365. Uma «surpresa», que pela sua complexidade e estrutura cronológica por norma seria vista em galeria ou museu e certamente por um público mais restrito. Por isto, devo o meu agradecimento à organização do Paratíssima, pela possibilidade de integração do espaço público elevando-o a galeria a céu aberto na zona histórica de Alfama e com livre acesso a todos os públicos.

14 de Setembro. O.F.F.365 esteve exposta ao público durante 57 dias. Contudo, com as primeiras chuvas e sem protecção, toda a instalação ficou bastante danificada tendo de ser integralmente removida.






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2 de julho de 2016

Sumo




11 de outubro de 2015

Fado


A Maria mãe de dois e construtora de violinos é minha amiga faz tempo e como voa.
Um dia de Abril ligou-me. A Maria gostava que lhe fizesse um retrato da sua avó. Envio-me uma fotografia bonita. Um retrato antigo da Celeste também Maria. Retrato. Na mesma mensagem, um link para um video. Se por um lado me surpreendeu que a avó da Maria canta-se o fado, por outro, que o canta-se com tanta alma, com tanta idade, com tanto fado. Maria Celeste Rebordão Rodrigues, disse-me, ser a mais velha interprete de fado e irmã de Amália. Fiquei estupefacto. Não sabia da existência de uma irmã de Amália, com um nome mais sonante e com uma voz tão única e ainda no activo. Viva! Espantou-me não o saber e que como eu, Celeste devia de ser do desconhecimento público pela sombra da sua defunta e panteonada irmã. Estranho. Negro. Pois claro, fado. Por tudo isto, num abraço de agradecimento aceitei o trabalho e uma impressão da fotografia da Celeste passou a ser um olhar cada vez mais assíduo no atelier. No dia 13 de Maio fiz um primeiro estudo que surgiu algo insólito. Um ponto de partida para a composição do quadro, julguei de início. Passou uma semana e depois de ouvir tocar o meu amigo Pedro Antunes numa reunião de amigos, considerei que a guitarra portuguesa não estava firme na primeira abordagem e iniciei o segundo retrato sobre uma folha vivida resgatada de moldura. Com dedicação dedilhada dei-o como terminado e compreendi que na análise dos dois estava mais perto do que pretendia para a minha representação. Uma soma. Sem anulação, na análise da dualidade senti falta de um terceiro trabalho que completa-se o meu retrato(s) da Celeste. Precisava de um terceiro momento que viu o seu início no encontro de uma porta lacada a negro entregue às vielas de Alfama que trazida comigo limpei. Passou tempo e de madrugada num processo de resgate quase arqueológico do acrílico em secagem, juntei ao volume o terceiro elemento. Assim, por devir e na interiorização da mudança que dai advém, retratei a Maria Celeste Rebordão Rodrigues em três peças que se devem manter unidas no desejo de irem um dia para o Museu do Fado.
Hoje celebram-se os 70 anos de carreira da Celeste que, do coração, espero que depois de uma vida de representação e entrega ao Fado, seja protegida, muito acarinhada, assumida como uma força viva e sem comparações: Única!
Diz que um dia destes vamos tomar um chá. Eu gosto da ideia, bem o merecemos.




Elemento 1
14,8 x 21 cm
Micron sobre papel de 220grs.


Elemento 2
31 x 40,1 cm
Acrílico e Micron sobre papel reutilizado.



Elemento 3
60 x 40 cm
Acrílico sobre porta lacada reutilizada.



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Verso do terceiro elemento
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