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6 de dezembro de 2023

Nashi

 


2023. 100x100. Tinta acrílica sobre tela.
Série Devir
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Na Tate Modern, em 2006, vi Whaam, o díptico de Roy Lichtenstein. Nesse contacto, fui despido de alguns preconceitos e compreendi que o acto de pintar forma a uma cor eleva a composição representada a um amplo espaço de reflexão e significado. O compromisso e a meditação no método de pintura do preenchimento cuidando cada forma na sua individualidade, na aproximação, remetem para um estado de contemplação e calma que colide com a interpretação amplificada de uma vinheta, contendo uma explosão em cenário de guerra, anulando-a.
And yet… em Abril de 2012, em Luanda, alguém afixou a impressão de um comic de Silver Surfer na porta do escritório onde operava o Movimento X. Ao momento, ocorreu-me pintar a reprodução dessa imagem num dos quadros do corpo de trabalho que realizava. O impulso foi contido, não aconteceu. Contudo e tanto, a chama não se apagou na projeção do desejo de o vir a fazer no futuro.
Os guinchos, risos e vozes das crianças a brincar no recreio aqui ao lado foram substituídos por tubos de andaime batente, rebarbadoras que serram ferro e martelos pneumáticos que reconstroem sem término o muro da escola aqui na rua. Neste estúdio, no outono de 2015, pintei em catarse. Um processo de libertação de raiva, incompreensão e desespero tão violento que partiu sem conserto a grade de madeira. A tela resultante do que considerei ser uma terapia seria então publicada com o nome de Nemesis e ficou reservada com o escrito no verso: –“ficou por resolver começou a chover”. A base de Nashi.
Pintar um negativo era um projeto reservado para o culminar do ciclo de trabalhos identificados como Devir. Pintado na vertical, Nashi é um negativo. Um objecto photo-graphico que na sua inversão se revela unificado.
Na profundidade Atlântica, neste mesmo momento, Nashi, uma cria de baleia azul na cadência do nadar movimento eco advente do corpo de sua mãe, acorda para a consciência da interconectidade de um planeta que é Ela, viva, suspensa no infinito azul.

 


 


3 de fevereiro de 2018

Tiresias


 Tiresias / RA 100 Arroios


 Tiresias foi um profeta da mitologia grega. Considerado como um notável adivinho da mitologia grega. Conhecia o passado, presente e o futuro, além de interpretar o vôo e a linguagem dos pássaros.

Conta-se, que certa vez, indo ele orar sobre um monte Citeron, montanha da região central da Ática, consagrada antigamente ao deus Dionísio e às musas, que encontrou um casal de cobras venenosas copulando e ambas se voltaram contra ele. Tiresias matou a fêmea e imediatamente se transformou em mulher. Sete anos depois, indo orar novamente sobre o mesmo monte, encontrou outro casal de cobras venenosas copulando. Matou o macho e de novo voltou a ser homem. Este feito concedeu -lhe conhecimento sobre a vivencia e as particularidades dos dois sexos e por isso, chamado a opinar sobre quem estava com a razão numa discussão que envolvia Zeus e Hera. De um lado Hera afirmava que o homem tinha mais prazer na relação sexual; Zeus dizia que era a mulher. Tiresias, viu-se, assim, diante da difícil tarefa de decidir a questão, porque sabia que qualquer que fosse sua decisão, um dos deuses ficaria irado com ele. De qualquer forma deu o seu veredicto. “se dividirmos o prazer em dez partes, a mulher fica com nove e o homem com uma”. Hera considerou que com aquelas palavras, Tirésias teria sugerido a superioridade do homem, e o cegou implacavelmente. Zeus, compadecido da situação de Tiresias, concedeu-lhe o dom da adivinhação, de conhecer o futuro, além do privilégio de sobreviver a sete gerações humanas e compreender a linguagem dos pássaros.