27 de julho de 2023
25 de julho de 2023
12 de julho de 2023
11 de julho de 2023
30 de junho de 2023
21 de junho de 2023
Solstício
Cinquenta ciclos solares sobre a Terra que me criou, nutriu, sofreu e regenera. Filho vivo vivente de uma consciência desse Sol. Centelha da Sua consciência num corpo seu a Si entregue por escolha e vocação. Sou natureza, sua manifestação, seu filho e fruto. Aluno atento do eterno mestrado em efémero. Noite, dia e alegria. Espelho e espalhafato. Rei e palhaço. Leão e embaraço. Rasgo de luz no espaço. Pintor de gesto em contra-mão, arquiteto do meu passo. Aprendiz da criação. O silêncio do paciente tambor. Um espelho fio de gratidão. Corpo de baile e exclamação. Escárnio, cantiga, contra-censo e gestação. Concórdia, milagre, sonho, sopro e conspiração. Semeador, segredo e inspiração. Causa, fluxo e resolução. Contributo contribuinte. Complexo em pleno pelo plexo da clara luz de cada aurora que não precisa de nexo, é. Imune sem proteção. Responsável educação é a mão em cada mão. Dançar cura e emergente é o abraço que se sente certo quando dado. Dei. Levo e levarei porque sei ser desmascarado.
A água é Vida e sem ela, nem nós, nem nada. Tenham tino e afinação.
Venha de lá esse verão!
Bem hajam.
17 de junho de 2023
7 de junho de 2023
1 de junho de 2023
27 de maio de 2023
18 de maio de 2023
Verdade com sequência
O João David acolhe-me na sua casatelier desde Fevereiro com o objectivo comum de desenvolvermos a investigação artística de cada um em parceria cooperativa e desta fórmula crescer-mos num ambiente votado à arte, à compreensão da condição humana num constante lapidar da nossa massa crítica e até à data, ambos continuamos munidos de um par de orelhas. Na sua força, manifestação criativa, entusiasmo e verdade acreditei e acredito, não só ter reencontrado um amigo para a vida, bem como, levar a bom porto a terceira edição da 100x100 em Torres Novas. É, pois, um privilégio sem precedentes, no sopé da Serra D’Aire, comungar da devoção, o engenho, o primor de uma entrega sempre avant do Araújo Zilhão em torno da sua mesa de trabalho, o seu lugar elemento, o seu altar. De Sol a Sol assisto ao desenvolvimento da capacita acção de uma linguagem única assente numa estética única e identidade inflexível em crescente desenvolvimento, como se escrevesse para os anjos na sua linguagem, desenhos enormes sucedem-se numa certeza que desafia a abstração por composições e opções cromáticas que quebram a primeira análise sensorial e emocional, que provocam reclamando espaço e vagar contemplativo. O imediatismo dissolve-se quando se coabita com estes quadros nas paredes, porque no movimento perpetuado da luz do dia, no nosso reflexo e reflexão as composições metamorfoseiam-se em múltiplas leituras, fluxos e entoações que me projectam para outra compreensão alargando consciência. O timbrar do sopro do vento nas copas, a força da serra, a arqueologia da ancestral presença humana e a manifestação natural deste lugar são a matéria que prima, a massa que molda em entrega monástica num continuado exercício de alegria. Sabemos bem que algumas linguagens, propostas e correntes surgem antes do seu tempo num choque inevitável com a sua contemporaneidade, por conseguinte, sei que ter o privilégio de ver, caminhar com e partilhar horas de frontal diálogo com o João David é nutrir um enorme jardim pleno de espécies por nomear onde reina a simbiose e em cada folha desenhada ver medrar um canteiro de desejos e emoções que na vida e pela vida se manifestam. Assim, se reforça a posição de que uma só partitura não pode ser considerada um acto isolado. São ensaios, capítulos, contos que se sucedem numa mesma linguagem, num dialecto que amadurece belo e nutritivo, um caudal em expansão longe de secar por estar escrito que num futuro desaguará. Sabemos todos também, que a negação depois de integrada com verdade, leva à compreensão do outro que nos reflecte aprofundando o conhecimento de nós mesmos, o que nos torna mais fortes, plenos. Indispensáveis.
Recostado na almofada sou alumiado pela composição exposta no corredor – Harmonia da Cooperação – que com uma nesga mínima de luz permanece incansável a sua dança. Sorte a minha que agradeço sem esqueSer.
8 de maio de 2023
ia
"... Eu repito - prosseguiu com o dedo indicador em riste, enquanto na outra mão o copo cheio tremia - repito: daí resulta a nossa obrigação religiosa de sentir. O nosso sentimento - compreende? - é a força viril que desperta a vida. A Vida está a dormir. Quer ser acordada para celebrar as bodas orgíacas com o sentimento divino. Porque o sentimento, jovem, é divino. O homem é divino na medida em que é sensível. É a sensibilidade de Deus. Deus criou-o para sentir por intermédio dele. O homem é apenas o órgão por meio do qual Deus realiza as suas bodas com a vida desperta e ébria. O homem que fracassa quanto à sensibilidade, avilta a Deus, e a derrota da força viril de Deus, é uma catástrofe cósmica, de um horror inimaginável"...























































