As perguntas que se seguem foram realizadas pela Doutora Katila Vilar na sequência do encerramento da exposição O.F.F.365.
1- A arte contemporânea procura entender o presente, sendo que este é cada vez mais fragmentado e mutante. Neste contexto, existe uma vastidão de variedades de oferta, não havendo como outrora, uma linha de raciocínio (diferentes correntes). Esta existe e influencia o modo como percepcionamos o mundo, mas como ele se encontra numa mutação extremamente rápida, a arte é uma amálgama de propostas.
Neste contexto, como vês tu a arte contemporânea? Como vês tu o teu processo Devir também ele mutante e onde é que tu te inseres? Não lhe faltará a consistência de uma investigação mais sólida?
A tua conduta de só estar atelier assentando a comercialização da tua obra através das tuas redes mais próximas não será também saudosista de outros tempos em que o desenvolvimento da arte estava sob a alçada de mecenato (como se presenciou com a Soma ou com o Ovo em Luanda)? Não te faz falta uma pesquisa mais aprofundada como aqueles que reflectiam e se inseriam em movimentos artísticos?
Rui - Evito convencionalismos, ismos e etiquetas e vejo a contemporaneidade como o agora. A prática da actividade artística ou qualquer outra reflecte na sua actividade um contexto social e individual, um passado e um presente, desejos e intenções. Vidas. Somos contemporâneos uns dos outros, com a imediatez do acesso a informação global "fragmentamos-nos" pela diversidade, pela multiplicação influenciamos-nos em permanência. Dilssolvemos-nos mas, existe sempre identidade, seja de um artista main stream cuja arte é a reflexão conceptual e gestão de projecto ou uma idosa senhora que no seu tempo pinta e partilha as suas aguarelas. Nunca a palavra contemporâneo foi tão vasta no seu conteúdo e simultaneamente, nunca fomos submetidos a tanto ruído e dispersão. Nunca o livre arbítrio foi tão pertinente, bem como, a gestão de tempo com base tomadas de uma posição, de reflexão sobre que direcção tomar num oceano de informação com correntes controladas.
Como corpos celestes, cada criador tem a sua identidade, o seu peso, dimensão, velocidade de rotação, órbita e consequente influência sobre os demais, um sistema em equilíbrio. A Terra não compete nem com Vénus nem com o Sol, mas influenciam-se em permanência e no seu desenvolvimento estão, desde a génese, ligados. Ao contrário do que nos é incutido desde cedo, somos incomparáveis, unos e únicos. A educação é basilar. A vida não se pode reduzir a uma formatada corrida de apostas no sucesso, postas ou campeonatos. A diversidade, a unicidade e a origem são universais. Na óptica da história de arte, as correntes são chaves importantes: pelas novas propostas que abriram, como legado histórico: social, comportamental e psicológico, pela entrega e reflexo vivencial que cristalizaram, pela mestria e excelência que deixaram enquanto legado humano. Por exemplo, o cubismo, foi um reflexo da integração do cinema, da fotografia, do desenvolvimento da antropologia, um reflexo de modernidade que gerou novas formas de observação estética pela análise da multi perspectiva. A perspectiva do outro. Convém reflectir na observação do seu legado que, por exemplo, Picasso, Braque, Miró ou Souza Cardoso não faziam logins em redes sociais. Fora da caixa, eles eram a sua rede social no corpo, no acordar, no comer ou não, no beber da fonte, na escrita e na partilha conjunta debateram profunda e apaixonadamente os seus movimentos e produção. Os seus legados são viagens materiais e espirituais a outra dimensão da vivência humana. O tempo era maior, o ar mais puro, os dias corriam no vagar da carta e os estímulos, embora imensos, não se comparam em nada com os nossos volumes de acesso a informação e processamento da mesma. Foi um enorme salto a invasão digital e embora nos adaptemos rapidamente, ficaram mazelas na mestria, na excelência, na entrega e nos estudos que abriram portas para os meios de execução inclinados para a eficiência industrial, para a segmentação competitiva de um mercado mediatizado que empoeirou a essência.
O processo devir é um reflexo de diversidade e OFF365 o melhor exemplo disso. Um espelho meu na passagem. Devir és tu, quem sinta, não um eu isolado. Um composto de multiplicidade de informação e estímulos que me impactaram e derivam em experiências plásticas. Impulsos e travessias de superação pessoal e auto conhecimento. Na diversidade, na velocidade, na adaptação analógico-digital, no acesso a informação, no contributo e análise de uma globalização de reflexos culturais vejo o meu percurso como o desenvolvimento de um corpo nuclear de trabalho que se conseguiu equilibrar na multi tarefa da permanente adaptação a espaços e materiais por um lado, por outro, o assumir de uma forma de pesquisa e livre formação "em mutação e veloz". Uma "inconsistência" consistente é exigente visto que cada exercício é sempre único na adaptação aos materiais que integro e assumo, nas estéticas e composições que criei com a flexibilidade possível da dança. Habituei-me a viver um atelier de solitude colectiva onde abstracção, letrismo e ecletismo coabitam com forma e retrato, onde a fotografia casou com a pintura, um local onde as diferenças têm espaço por complementaridade. O compositor recorre à sonoridade de vários instrumentos para que nos diferentes andamentos, as suas emoções, a sua opera, tempos e ritmo estejam em concordância consigo e, por norma, acessíveis à interpretação do ouvinte. A minha sinfonia, nos seus vários actos, é o reflexo colorido por diversos instrumentos e a melodia é reconhecida na ligação dos pontos, no inesperado resultado da contaminação entre materiais, na entrega e adaptação a cada momento. Neste contexto é necessário ter uma vocação para estar em atelier, de gostar da experiência, mas parece-me redutor afirmar que "só estou em atelier". O trabalho de laboratório é necessário, exigiu-me método durante o ano de 2015 e inícios de 2016 devido ao compromisso diário da Operação Fino Feno. No entanto, sem vivência, debate e influências é estanque. Estéril no seu conteúdo e forma. Evito esse hermetismo. Apela-me a mensagem, o despoletar da química, a inquietação da dúvida, o ter de ver, o querer e a busca das respostas, a troca de posições, o reflexo e a sugestão que abre a porta. Livre. Gosto da paisagem reflexiva porque sou um vaso comunicante. Não confundir comunicação com comercialização, na medida em que, existe uma intenção de equilíbrio na composição pela busca de beleza de forma íntima e natural. Não na perspectiva de desenvolver produto artístico vendável. Muito em voga, muito em conta. Algumas das estéticas a que cheguei são claramente funcionais do ponto de vista comercial, não lhes dando continuidade imediata por assumir um fluxo de mutação o que só as tornou mais únicas e exclusivas. Partilhei, não me apropriei, e, numa sociedade cuja tendência é a normalização do produto estatístico com vista ao consumo imediato comprovadamente insustentável e efémero, essa ponte sempre me pareceu uma posição válida. A arte não é um produto. Ponto. Constitui capital cultural. Cristalização de momentos irreversíveis de criação que reforçam a originalidade e a concretização, expandem a imaginação e massa crítica. Na perspectiva do marchant ou galerista compreendo que seja "complicado" trabalhar comigo porque "baralho as regras do tabuleiro". Comprovei-o nos vários contactos que fui fazendo nesse sentido com diversas pessoas e instituições com quem reuni e a quem apresentei projectos. Não porque tenha mau feitio ou me seja difícil lidar com as pessoas, pelo contrário; trabalhar comigo implica reconhecer que tenho várias linguagens, estímulos e vocações que derivam num corpo de trabalho complexo cuja elasticidade é difícil de integrar na demanda dos posicionamentos e tipologia de potenciais clientes.
Não sou o único a assumir a diversidade, todo o artista experimenta e pesquisa, mas encontrando uma linguagem adequada a si, regra geral aprofundam-na e exploram-na ciclicamente. Em todo o esforço criativo reside uma aprendizagem, mas, a curiosidade experimental crónica de que padeço leva mais tempo e recursos e aparentemente tudo joga contra nesta posição. Luto para manter uma rota sempre no limite de cada bordo, um bálsamo inspirador. Triste ou nobre? - Não tive opção. Trabalhei em várias áreas e sempre com a alegria do fazer por aprender, mas, com uma vivência visual desde cedo a arte escolheu-me. Por isto, a verdade é que a realidade se alinha para que continue progredindo.
O meu trabalho, nas "redes mais próximas" de quem me conhece e compreende a "infidelidade" do meu processo, acaba por ser vendido por ter uma benevolência própria advente do esforço de integração das várias dinâmicas nos momentos de criação. Cada quadro tem um destino e esses re-encontros arrebatam-me sempre numa projecção avant. Tenho uma visão, sinto-a e depois busco-a, ou incubo um ideia durante anos que vai amadurecendo até ao momento da exequibilidade da sua realização. Futurismo? A ver. Confesso estar muitas vezes à frente do agora para poder fornecer fresco. Mesmo que por vezes pareça uma maldição ditada pela escassez crítica, ausência ética, parca educação artística, comparações e raiva competitiva que anula leituras e desenvolvimento por partilha, humor rarefeito e lobbies, dos medos das austeridades em "nobre" horário. Pobres anzóis! Quando estou no meu elemento de criação sou abençoado, subo no contorno da gravidade, celebro vida, manifesto-a, danço a capacidade de o poder trazer. A pedra de toque do meu trabalho assenta nesses momentos, mas está profundamente alicerçada numa vida atenta, dedicada a uma tentativa de ser melhor por e para a materialização do desejo que um dia reflectirá e equaliza luz no lar de alguém. Por me esforçar por reconhecer profundamente a minha essência e abrir-me à compreesão de quem me rodeia com compaixão seria uma presa fácil para tubarões, não fosse eu baleia. Temos pena, mas eu de mim já não tenho nenhuma.
2- Os media e as novas TICs influenciam a arte ora com um maior envolvimento da sociedade ainda que fugaz, ora criando novas fronteiras do que pode ser chamado de arte. Beuys, Vautier ou o movimento Fluxus consideram que toda a gente pode ser "artista".
Portanto, o que é para ti ser "artista"? A tendência de democratização da arte ajuda ou prejudica a experiência que se tem do que é ou não é arte?
Os media e as tecnologias de informação influenciam tudo. Um minuto num smart phone: - vemos um video sobre os signos dos animais, a notícia de um atentado a um rio, um anúncio transgénico a um crédito, miséria e luxo no mesmo segundo, um terramoto que provocou um acidente ambiental da costa, um convite para uma exposição prêt-à-porter, fotografias de um quadro por fazer num atelier com pinta, o almoço do Manuel, as cuecas novas da Matilde, polegar rápido, e eu a contribuir para isto, etc. Entretanto, a realidade esvai-se, os putos crescem, o tempo galopa, as distâncias acentuam-se, controlamos-nos uns aos outros em necessidades criadas de ter uma opinião "bem informada" longe de nós mesmo num acessar instantâneo. A massa crítica deslaça-se por estamos controlados por muros de imenso ruído wireless. Neste cenário, nunca foi tão difícil elevar a pintura, nem tão imediato bananalizar a actividade artística. Tudo passou a fugaz e pouco se reflecte ou debate, compara-se no imediato. Implantou-se a concorrência em sacrifício da vivência, da ética, dos afectos. Valham-nos a dança da verdade ambiental, os movimentos de solidariedade, os documentos e filmes de autor por estudar, os museus, os atelier abertos, as intervenções nos espaços públicos, o teatro, os livros, os passeios junto ao mar e o cheiro da terra, a contemplação na passada do caminho, a compreensão e integração do erro, as formas das nuvens e a divina surpresa. Estamos ligados sim, mas desde à muito e além da net.
O desenho, o canto, a modelação e a performance são exercícios de criação essenciais ao desenvolvimento cognitivo, psicomotor e espiritual. Criar é uma característica inata ao ser humano, auxilia-o. Todo o desenvolvimento nas suas múltiplas vertentes viu o seu nascimento em processos de criação e experimentação. Mesmo que inibidas, considero sempre as capacidades de criação do próximo, o seu potencial. Gosto de o ter presente no meu trabalho, de provocar a sonolência e suscitar a reflexão no observador.
No meu ponto de vista, ser artista é ter uma visão consciente e de forma responsável, através de um meio ou meios reflectir vida na história além da própria História num par e passo com a ciência. Transformar nutrientes como a seiva de uma árvore em crescimento. Receber, transportar transformando, dar o fruto e fertilizar. E gostar do fazer. Amar e confiar no processo enquanto vida.
3- Qual a tua relação com o ego e a vaidade de se considerar artista? Tendo tido a oportunidade de conviver de perto, considero que durante o processo não existe narcisismo, mas antes e depois, na tua necessidade de afirmação, existe um egocentrismo, uma eloquência por vezes até arrogante, em querer ser ouvido.
Se é o que faço como ofício, tenho a inquietação, a paixão, a necessidade e a motivação para o fazer, enquanto a realidade me der sinais de que o devo manifestar, tenho de ser honesto comigo e ultrapassando as barreiras da funcionalidade, criar condições para o fazer. Já à muito tempo que não é por "vaidade" ou "ego" que exponho o meu trabalho. Amo todo o processo e a quem me dirijo, não idolatro a minha imagem. Considerando amor próprio e sendo o corpo a directa manifestação da consciência, foi integrado como veículo de expressão porque dançando não se mente. Expor deve ser uma celebração, uma feliz consequência harmónica. Se não mostrar o meu trabalho com uma posição que acrescente valor a quem o recebe, a comunicação declina num monólogo. Quando chove, molha. O foco e a orientação na busca de uma visão e objectivos concretizados à custa de trabalho e privações não podem ser confundidos com arrogância que nada acrescenta. Se atingi resultados quando trabalhei em equipa, foi por ter sempre somado à equação a inexistência de hierarquia sobre delegação de responsabilidade. Todos os envolvidos têm sempre uma palavra, a sua presença e envolvimento são sempre um acréscimo directo ou indirecto quase sempre integrado. A integração e observação de dinâmicas de grupo constituem o capital da aprendizagem e sem entrega, abertura e debate construtivo não se abrem as portas de nenhuma exposição digna desse nome. As obras só ficam completas quando vividas pelo observador. O observador está presente no arranque de uma vivência comunitária integrada no corpo; é parte integrante da energia do desenvolvimento; e, no final do ciclo, o seu reflexo perante a obra.
4- Porquê a insistência em se afirmar na "arte contemporânea" e não abordar outras vertentes menos "elitistas", como a arte social ou a arte terapia (participação social, workshops diversos)?
Porquê tal insistência quando tem demonstrado que não tem levado a lugar nenhum a não ser o prazer pessoal e o olhar, a maioria das vezes fugaz, do espectador? Não será novamente a faceta do ego do artista? Que faz de ti tão único que seja considerado belo daqui a 100 anos?
Qual a tua relação com o mercado da arte e o que tens feito para chegar até ele? Qual o teu lugar hoje e aquele que procuras para o futuro? Quais as estratégias práticas e concretas para atingir tal objectivo?
Já participei em projectos de formação, já administrei workshops, organizei e promovi ventos, quando acreditei nos projectos corri bastante pro buono. Assim cresci, conheci e reconheci, viajei, voltei e compreendi que posso e devo de partilhar conhecimento. Entendi que para atingir objectivos concretos de formação na área de desenvolvimento artístico precisava de estudar e aprofundar-me mais. E foi o que fiz. A experiência de ensino que tive nas belas artes de Medellin foi reveladora e uma aprendizagem nesse sentido. Desejo ensinar, comprovei-o e percebo esse dom como uma extensão natural da investigação.
Na minha experiência, a internet divulga, inspira muito muitos, mas não vende pintura. É quase sempre a energia dos originais e a sua manipulação que desencadeiam o impulso que pode eventualmente chegar à aquisição. As pessoas sejam de que círculo forem, têm todas a capacidade de ver e de reflectir pintura desde que anulem os seus medos e ausências e se enquadrem com a sua observação com consciência. Faço um esforço para não me inflacionar, ouvi várias vezes que não me sei valorizar, tive muitos sinais nessa direcção e quem tenta-se explorar essa fragilidade. Sempre tentei criar opções para todos os bolsos através de séries fotográficas, serigráficas até t-shirts. Sei que investir num trabalho de pintura original está condicionado por capacidade financeira. Sei o valor do trabalho e tenho noção da especulação em torno do mercado de arte e fui dando quase tudo e com boa resolução e acho ser este parte do problema de "não ter chegado a lado nenhum". Financeiramente.
Claro que considero ter prazer na partilha, bem como, considerar que tenho uma posição necessária. Além deste blogspot.pt que funciona como uma mnemónica visual cronológica desde 2006, não tenho um site organizado com o meu trabalho por não ter tido nem o tempo nem os recursos para o fazer o que é um ponto fraco. Como a grande maioria dos artistas, divulgo trabalho e posições originais, dou a (re-)conhecer o que faço. Mas; - "prazer pessoal"? Prazer pessoal é passear o cão na praia na passada das ondas, é dar abraços e mergulhos com amigos, conduzir sem tempo nem destino e fazer amor no pinhal. Sou um apaixonado por toda a actividade e empenho artístico, mas: é um ofício! É estar numa cave sem incidência directa de luz solar durante semanas sem o fim, estudando, avaliando, limpando, fotografando, desenhando, comunicando, promovendo, organizando, arquivando, transportando, expondo e catalogando. E centrar-me, focar-me, transmutar-me em desejos e intenções de uma vivência mais saudável que virá. Acreditar, com confiança e amor. A maioria das pessoas teriam alguma dificuldade em estar com o seu silêncio um só dia, eu posso estar imerso semanas. Não sou melhor nem pior por isso. É o meu contributo e como um médico, parteira, padeiro ou almeida, de forma especializada, faço-o com uma social responsabilidade para o trazer à luz o melhor possível.
Sabemos que a manifestação criativa, as artes são maltratadas, controladas e exploradas desde à muito. Ninguém come arte, não é um bem estritamente necessário mas os templos estão cheios de "encomendas" carregadas da energia de infinitos artistas e são reforços da devoção. Porquê? Imaginar a vida sem música, sem poesia, sem a cor da criação é um lugar obscuro, cinzento e inerte. No seu livro 1984, Orwell descreve esse cenário e cabe aos artistas usar de tudo para se equilibrarem e fazerem o contra ponto.
Daqui a 100 anos não estarei por cá. Talvez seja baleia ao largo num oceano aberto, mas parte do meu trabalho sim. Passei a perna ao tempo através de um legado de passagem nesta volta com a leveza possível e co-criando com imensos seres brilhantes, curiosos e inspiradores. Ai, durmo tranquilo e encontro o belo.
O meu lugar hoje é o de um homem com 44 anos sem filhos vivendo numa realidade exponencialmente mais veloz, com a vida de quem passou de século reverberando liberdade, com o reflexo de quem cresceu analógico e integrou o digital num abraço global, numa consciência planetária que avisa que somos o cancro e nem todos o conseguem ou querem ouvir. Um homem esperança ainda assim. Mais um na multidão, um ponto de reflexão. Pequeno, com uma consciência em expansão e um hereditário amor incondicional ao próximo e por isso magoado. Como a maioria, estou na linha de fogo das contas mensais, mas, grato por acordar todos os dias em paz e com saúde e ser fiel aos meus princípios e valores. A necessitar de encontrar soluções sustentáveis, autónomas e inventivas. Um português solar a precisar de auxílio sem se ausentar da responsabilidade e que precisa de uma mão que o integre justamente. Preciso de quem me acredite enquanto pessoa num projecto em que acreditemos realmente. Com lucidez reunir as condições para não morrer a fazê-lo, mas para o poder fazer até morrer com a merecida dignidade.

