19 de fevereiro de 2026

sala branca


Branco de todas as tonalidades de frente entre cúmulos que carregam a limpeza do caudal a montante. Aqui junto tem corpo de espadas de São Jorge na sombra do papel. Justo, deixa passar a luz nos poros da pálpera polpada de laranja. Trás gomos somados de poças salgadas na maré, que viva, encheu o seu costumeiro milagre de perceves, mexilhão e navalheiras. Da varanda são bonitos os andaimes, têm piano de escadinhas para a areia, que sem pegadas, sossega solene na praia. Castelos, pontes e corridas de caricas, boca roxa de amoras e o pestanejar dos saltitos sobre as pedras. Ganhamos sempre no silêncio ondulado que poisa nas cavalitas do ouvido. Sou um explodido nos teus segredos de mão, das algas ao coração.

 

.

17 de fevereiro de 2026

cru








9 de fevereiro de 2026

Niña

 

Entre la tarde que se obstina
Y la noche que se acumula
Hay la mirada de una niña.
 
Deja el cuaderno y la escritura
Todo su ser de ojos fijos.
En la pared la luz se anula.
 
Mira su fin o su princípio?
Ella dirá que no ve nada.
Es transparente el infinito.
 
Nunca sabrá que lo mirava.
 
Octavio Paz 
 
 

.